7:12NELSON PADRELLA

DIÁRIO DA GRIPEZINHA

Tudo tem volta, principalmente a ida. Retornando à casa de mãe joana, depois de unir a Europa num laço de paz e amor, tiozinho pôs-se a campo, o que configurava um perigo porque se caísse de quatro saía pastando. Nos campos havia flores e tiozinho fez um ramalhete e mandou entregar para aquele menino sapeca, o Vavá. “Só tem cara de mau, mas é doce feito doce de batata doce” – informou à Dona Angélica, a anja do planalto. A senhora teve que suspender a aula de anjês, que estava recebendo porque podia dar circuito, ela toda augusta dos anjos e o outro com o diabo no corpo. “Vai já me tomar um banho de arruda e sal grosso” – disse para o farofeiro da paz. “Fica se esfregando com essa gente que tem parte com o demo e agora me chega com esse cheiro de enxofre!” Trazia o chegante nos olhos a luz da felicidade. Estivera com Ele. Apertara a mão dele. Sentira o contato do seu bíceps. E a voz, aquela voz máscula dizendo vamos invadir essa por…toda. Era ele, agora! Já tinha esquecido do polaco de cabelo rubro. Ombreado a ele, salvara o mundo da guerra. Tinha ajudado a implantar o Comunismo naquele país rebelde. Tinha levado flores para o túmulo do comunista desconhecido. Tinha sentido faniquitos de emoção ao ouvir o hino comunista. Agora, sem alma (porque comunista não tem alma) olhava seus campos gadeiros e, imitando a voz de Chico Buarque, pôs-se a cantar que o Brasil ainda ia virar um imenso bacalhau.

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