11:43O futuro não é destino

Receio que no futuro, a história conte que havia um país do futebol que tinha um rei, Pelé, e um grande número de craques fenomenais que jogavam o futebol bonito, espetacular e eficiente. O mundo parava para ver o Brasil atuar. Porém, por causa da desorganização, da ganância, da incompetência, da corrupção, dos otimistas prepotentes, da globalização e da evolução dos outros países, o futebol brasileiro tornou-se igual a tantos outros e abaixo das principais potências. É preciso reagir. O futuro não é destino. O futuro é o que será construído. (Tostão)

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8:17“Forasteiras”

Uma serpente do Centro Cívico leu que em São Paulo Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad se estranharam por conta das candidaturas de Simone Tebet e Marina Silva, consideradas “forasteiras” pelo governador licenciado. Foi o que bastou para o paranaense destilar: “Mas… e a deputada paulista do Paraná Rosangela Moro, ex União Brasil, agora do PL? É forasteira?” Isso é política!

 

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8:00Quatro campeões e uma coisa

Quatro campeões do mundo vão disputar as semi-finais da Copa do Mundo de Futebol: França, Espanha, Argentina e Inglaterra. O Brasil é o que tem mais títulos na competição: cinco conquistas. Ao ser eliminado pela Noruega nas oitavas-de-final, o avião fretado pela CBF decolou de volta ao país com apenas um jogador da equipe. Os outros ficaram por lá em férias ou retornaram para países da Europa. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa – mas é isso mesmo.

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7:41Mais uma pesquisa impugnada

Do enviado especial

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, Luciano Carrasco Falavinha Souza, impugnou neste sábado (11) uma pesquisa eleitoral do Instituto Veritá, cuja divulgação aconteceria neste domingo (12). O pedido foi feito pelo diretório estadual do PSD e leva em consideração problemas na base de dados.

Um dos pontos levados em consideração é a utilização da aglutinação genérica constante da fonte “IBGE 2022/PNAD/PNADC 2022/MEC/INEP2023” e a falta de clareza na demonstração na identificação da fonte no plano amostral.

O juiz entendeu que a Resolução TSE nº 23.600/2019 exige clareza e precisão nas informações sobre o plano amostral e o nível econômico dos entrevistados.

“Na medida em que se determina a utilização de duas fontes de amostragem, a princípio com fontes diversas sem esclarecimento, sem precisão na base de dados, não é possível a publicação da pesquisa”, afirma o presidente do TRE-PR.

Pela decisão, o Instituto Veritá fica proibido de divulgar a pesquisa eleitoral registrada sob número 03335/2026, sob pena de multa diária de R$ 200.000,00 até julgamento da representação em sessão presencial.

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7:32Ambição

Com seis anos de idade eu queria ser cozinheiro. Aos sete eu queria ser Napoleão. E minha ambição vem crescendo desde enrtão. (Salvador Dali)

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7:13Uéslei, o RH de Facção

por Carlos Castelo

O RH da facção funcionava numa sala sem janela, com um ventilador que fazia um barulhão e um cartaz motivacional pregado torto na parede: “Aqui, nós faz acontecer.” Embaixo, alguém tinha completado com caneta: “inda mais nas tocaia.”
Quem comandava o setor era Uéslei, gerente de Recursos Humanos e Desenvolvimento Criminal de Talentos. Usava regatas cavadas, colares dourados e um coldre discreto, combinação que lhe dava o aspecto de um contador meio ameaçador.
Uéslei levava o trabalho a sério. A facção podia negociar drogas, armas e influência política, mas o verdadeiro desafio era lidar com pessoas. Pessoas faltavam. Atrasavam. Sumiam misteriosamente no horário de expediente. Havia muito turnover, às vezes literal.
Naquela segunda-feira ele conduzia entrevistas de desligamento.
— Fala, Claudinei, por que tá saindo da organização?
— Fui sequestrado. Pela concorrência, mano.
— Entendo, irmãozão. Tu classificaria a experiência aqui como satisfatória?
— Marromeno. Tomei dois pipoco.
Uéslei anotou: “colaborador demonstra dificuldade em lidar com feedback.”
O grande problema da facção moderna é profissionalizar a gestão. Já não basta entrar armado e tatuado. O mercado exige novas competências. Há treinamento de abordagem ao cliente, curso de inteligência emocional durante interrogatórios e até workshop de comunicação não violenta, embora o nome tivesse gerado resistência.
— Comunicação não violenta? — reclamou um veterano. — Então, agora vou ameaçar como, maluco?
Uéslei explicava pacientemente:
— A ideia é escutar o sequestrado de forma empática.
— Mas o cara tá amarrado, pô.
— Justamente. Ele já se encontra vulnerável para compartilhar sentimentos.
A facção também investia em diversidade. O chefe acreditava numa equipe plural, capaz de representar diferentes regiões do crime organizado. Tinham contratado um hacker vegano, uma especialista em golpes de PIX formada em administração e um rapaz de teatro responsável pelos disfarces nas operações.
O teatro, aliás, causara atritos.
— Não posso trabalhar num ambiente tóxico — dissera o ator depois de uma discussão no almoxarifado de munição.
Uéslei respirou fundo. RH era mediação permanente. Numa semana resolvia conflito entre os vapores; na outra, negociava vale-transporte para motoqueiro de fuga.
Na terça-feira houve avaliação de desempenho.
— Vamos falar de metas, Sandrão. Tu sequestrou apenas três empresários no trimestre.
— O mercado deu uma esfriada, irmão.
— Mesmo assim precisamos pensar em proatividade.
— Fiquei preso duas semanas.
— O importante é vestir a camisa da empresa.
— Mas eu tava sem camisa quando entrei na tranca…
Uéslei ignorou.

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6:46Vícios oligárquicos estão nos três Poderes

por Elio Gaspari, na FSP

Joaquim Falcão mostra que a geringonça está viciada. Livro bem escrito, bem-humorado e entristecedor expõe as mazelas do atual regime brasileiro

Terminada a Copa, virá a campanha eleitoral, e o professor Joaquim Falcão mandou para as livrarias um grande livrinho (256 páginas). Chama-se “A Oligarquia dos Poderes e a Crise da Democracia”.

Bem escrito, bem-humorado e entristecedor, expõe as mazelas do atual regime brasileiro, capturado por uma oligarquia dos três Poderes que se alimentam, blindam e preservam. O Brasil teve 3.866 propostas de emendas à Constituição, 819 estão em tramitação e 136 foram aprovadas. Afinal, “o Brasil não gosta da sua Constituição”.

Falcão está de bem com a vida, pernambucano de velhas raízes, parece-se mesmo com os sábios viscondes do Império. Ele expõe as mazelas em parágrafos curtos, dissecando cada Poder oligárquico, começando pelo Judiciário, com seus humores e parentelas.

Fala Falcão: “Existe um mal-estar social que varia em intensidade e qualidade. Às vezes se transforma em violência social, rural e urbana. Insoluções da política estatal produzem violência que o Estado democrático de Direito não consegue conter. Nem justificar. Nem esclarecer. Abrem espaço, por exemplo, para 120 mortos de uma só vez no Rio de Janeiro, em outubro de 2025. Tudo com aparência de que foi ato estatal legal e democrático”. É desse caldo que deriva a força do crime.

Desde 1950 foram apresentadas 129 denúncias contra ministros do Supremo Tribunal, todas arquivadas. Enquanto isso vários ministros tinham e têm parentes advogando nos tribunais superiores. Do outro lado do balcão, mais de cem réus da Lava Jato foram resgatados por decisões do ministro Dias Toffoli. Ele teria deixado voluntariamente a relatoria do caso Master, você acredita nisso?

Diz Falcão: “Estaríamos na pré-oligarquia, numa monarquia judicial, onde autoridades dos três Poderes vestem-se, precipitadamente, com a toga dos imperadores, a desfilar na avenida e pedir o aplauso popular das arquibancadas para suas fantasias”.

O problema começou a adquirir suas feições atuais em 1891, quando Rui Barbosa importou o modelo americano de democracia. Não funcionou, virou parolagem. Como ensinou Raymundo Faoro: “Aqui se constroem instituições e depois inventam o povo”.

Os vícios oligárquicos estão nos três Poderes, e Falcão os põe na mesa. O então deputado Chiquinho Brazão foi preso por ter sido acusado de mandar matar a vereadora Marielle Franco, mas a Câmara cassou-o porque faltou, e faltou porque preso estava. É o truque da “harmonia da discordância”.

Depois do Festival de Besteiras que Assolava o País, Joaquim Falcão ensaia um Festival de Absurdos que a Oligarquia Patrocina.

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17:29Solidão plena de tudo

Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

de Clarice Lispector

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14:33Peppino di Capri, adeus

Da FSP

Morre cantor e compositor Peppino Di Capri, do sucesso ‘Champagne’, aos 86 anos

Artista italiano foi um dos astros da música de seu país. Causa da morte ainda não foi divulgada por sua família

O cantor e compositor italiano Peppino di Capri morreu na manhã deste sábado, na ilha de Capri, na Itália, aos 86 anos. A notícia foi divulgada na própria rede social do artista, com uma fotografia e a legenda “tchau, Peppino”. A causa da morte não foi divulgada pela família.

Nascido em julho de 1939 na mesma ilha onde morreu, Peppino foi um renomado cantor, pianista e compositor, se destacando-se como um dos grandes astros da música popular italiana do século 20. Ele ficou mundialmente famoso por clássicos românticos como “Champagne” e “Roberta” —sendo essa última a que deu início a uma onda de batismos de crianças com esse nome na Itália.

Peppino di Capri, nascido Giuseppe Faiella, esteve desde cedo em contato com o universo musical. Seu avô tinha uma banda na ilha de Capri e o seu pai, uma loja de discos, além de saber tocar vários instrumentos. Aos quatro anos, o cantor já se apresentava para os soldados aliados nas bases militares da ilha durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1953, ele formou o Duo Caprese e se apresentava nas boates de Capri ao lado do baterista e amigo Ettore Falconieri. Anos depois, a dupla participou do programa de auditório Primo Applauso, venceu a competição e ganhou um aparelho de televisão.

Em 1957, ele formou o grupo Capri Boys, uma banda inspirada nos roqueiros americanos, com Pino Amenta, Mario Cenci e Gabriele Varano. Após um contrato com gravadora milanesa Carish, o grupo passou a ser chamado de Peppino di Capri e i Suoi Rockers e emplacou sucessos como “Malatia”, “Let Me Cry” e “Nun È Peccato”.

Em dezembro de 1961, ainda com a banda, o artista lançou o twist, dança inspirada no rock, na Itália com a interpretação de “Let’s Twist Again”, música que vendeu 1 milhão de cópias e levou Peppino di Capri ao topo das paradas. Depois, se seguiram as canções “Don’t Play That Song” e “St. Tropez Twist”, assim como turnês pela Alemanha e pelos Estados Unidos.

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