11:55Fuga

O número mais bonito na novela da existência é aquele que a gente ia executar em que foi eliminado do espetáculo. (Millôr)

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8:02As obras, a chiadeira e o que diz o prefeito de Curitiba

Os curitibanos estão bravos com o resultado do número de obras nas ruas da cidade. Na prefeitura de Curitiba isso é sabido e tem gente que fica apavorado se aquele slogan tradicional que fala em “canteiros” fosse utilizado para acalmar. O prefeito Eduardo Pimentel, se perguntado, repete que a administração está preparando Curitiba para o futuro. Mas concorda com a chiadeira, acha natural, e que é preciso acelerar o processo e que isso vai ser resolvido. A conferir.

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7:12Picolé chupado

Por Lea Oksenberg no Vigília Comunica

A disputa pelo terceiro lugar numa Copa do Mundo tem fama de jogo sem sabor. Mas, se a gente olhar bem, tem uma dinâmica saudável ali: é a hora de respirar. Não há a corda esticada da finalíssima nem a obrigação de ser campeão. Os jogadores entram em campo sabendo que o pior já passou, e quem assiste ganha um refresco.
Com o controle remoto na mão, a perspectiva muda. Essas paixões são irracionais. Mas com o Brasil eliminado, a gente experimenta a rara neutralidade de não torcer por ninguém. É um alívio quase culpado. Sem estômago embrulhado ou coração na boca. Resta o prazer de ver a bola rolar e torcer, sem compromisso, por quem jogar melhor.
Sem cobrança. E não a do gramado. A ausência de cobrança acontece aqui dentro. Aquela urgência que a gente se impõe na rotina: a obrigação de vencer o tempo todo, de tomar partido, de ser uma metamorfose ambulante em vez de carregar aquela velha opinião formada sobre tudo.
Lá fora, o mundo continua um rolo só. A cidade com seu ritmo bruto, as notícias pesadas na mesa, as angústias da história e da política que a gente carrega nas costas todos os dias. A vida não dá trégua. Mas do lado de cá da tela, esse futebol morno funciona como um escudo necessário.
As grandes decisões e as tensões da vida real continuam ali, esperando o jogo acabar. Elas não vão embora. Mas, por uma tarde, a gente se dá o direito de olhar para o picolé chupado e não exigir nada dele, nem de nós mesmos. Silenciar a cobrança e aceitar o morno, às vezes, é a única vitória possível.

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6:46Projeto de poder

Da coluna de Claudio Humberto em O Sul

Rosângela Moro (PL-SP) alertou que uma eventual continuidade do governo Lula poderá ampliar a influência do petista sobre o STF: “Poderá indicar mais quatro ministros [do STF]. O Brasil não pode ignorar”.

E aí?

Carlos Jordy (PL-RJ) quer saber se Flávio Dino (STF) vai investigar Lindbergh Farias (PT-RJ) após emenda dele de R$1,7 milhão parar em cooperativas do Paraná, estado da namorada Gleisi Hoffmann (PT).

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6:29NELSON PADRELLA

O coqueiro disse à palmeira ;”vamos fazer uns coquinhos?”
A palmeira respondeu: “nâo posso. Estou de cacho”.


Por ti meu coração balança num ritmado vai-e-vem
Balança a pança também

 

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6:20Torcidas

Hoje acontece a decisão da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha. O resultado será normal, apesar de a maioria dos brasileiros torcerem contra o time de Messi e outro tanto pela Espanha – sempre com aquela ponta de inveja porque nossa seleção de Neymar foi Neymar na parte mais pura de enganação na competição. No fundo todos querem é que a bola não seja maltratada. O resto é isso aí mesmo.

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5:59Saudades do complexo de vira-latas

por Antonio Prata, na FSP

Nelson Rodrigues, que em suas peças enxergava pelas brechas o pior do ser humano, conseguiu ver pelas brechas do futebol o melhor do brasileiro.Aquele ranzinza era na verdade um otimista

O que aconteceu com a seleção brasileira? Sei pouco de futebol. Procuro, portanto, ouvir quem entende. Passei os melancólicos últimos dias conversando com o amigo Nelson Rodrigues. “À sombra das chuteiras imortais”, coletânea da Cia das Letras, organizada pelo Ruy Castro é, com o perdão do clichê, uma aula de Brasil. Está ali, entre outras, a clássica crônica do “Complexo de vira-latas”. Foi publicada na Manchete Esportiva no dia 31/05/1958. “Última crônica antes da estreia do Brasil na Copa”, diz a nota de rodapé. (Nas semanas seguintes o mundo saberia como aqueles pés rodopiariam.)

Na crônica, Nelson fala do nosso sentimento de inferioridade diante dos europeus. “Em Wembley, por que perdemos? Porque diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade.” Como se sabe, naquela Copa foram as sardas que ganiram. Nós latimos, mordemos e um menino de 17 anos recebeu a taça das mãos de um rei.

Foi curioso reler as crônicas. O que fica dos textos, lidos todos na sequência, é bem o oposto do nosso vira-latismo: “Diziam de nós que éramos a flor de três raças tristes. A partir do título mundial, começamos a achar que a nossa tristeza é uma piada fracassada. Afirmava-se também que éramos feios. Mentira!”. “A pura, a santa verdade é a seguinte, qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: — temos dons em excesso.”

Temos dons em excesso. Nelson Rodrigues, que em suas peças enxergava pelas brechas o pior do ser humano, conseguiu ver pelas brechas do futebol o melhor do brasileiro. Aquele ranzinza era na verdade um otimista. Talvez por isso, aliás, fosse tão ranzinza, pois sua gastrite gritava ao constatar que o Brasil não estava à altura de sua visão. “O Brasil não merece o Brasil”, cantaria alguém depois.

“Brechas” me levam ao historiador Luiz Antonio Simas. Num vídeo no Instagram, após a derrota, disse estar chateado por não estar chateado. Pois o Brasil que perdeu foi um Brasil que abriu mão “das nossas formas originais de jogar bola”. “Um país que construiu sentidos de vida nas brechas de projetos de horror”. O drible foi a invenção do negro para passar pelo branco sem tomar um enquadro da polícia. Havia aí um projeto de país. Complexo. Triste, talvez. Cheio de contradições, mas com luz no fim do túnel. Esse projeto morreu.

Essa seleção que caiu diante da Noruegada Croáciada Bélgicada Alemanha, não é a seleção da brecha, é a do “projeto de horror”. É a do “cidadão de bem” que urra “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas”, mas ainda não voltou pro seu lugar quando começa o segundo tempo porque tá comprando um hot-dog –e escrevo cachorro-quente em inglês de propósito.

Não foi a seleção que apequenou-se, foi o Brasil. A seleção representa exatamente o que somos hoje. O país das bets, dos Vorcaros, do centrão –e o que eram aqueles toques pro lado e pra trás no meio de campo senão um balé bem ensaiado da nossa política, que jamais levará o país (ou o time) pra frente? No Brasil em que Nelson escrevia construía-se Brasília e a Bossa Nova. Tom e Vinícius eram nossos Pelés e Coutinhos. Caetano VelosoGilberto Gil e Chico Buarque vinham chegando. No Brasil de hoje discutimos se a Virgínia deve ser comentarista da Copa. A gastrite do Nelson estaria ganindo.

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11:10O tumulto e o mato

Ao saber que Ricardo Barros disse que a escolha de Sandro Alex para ser o candidato de Ratinho Junior ao governo deixou o cenário político instável e preocupante, o Gaiato da Boca Maldita achou os termos até carinhosos. Sugeriu então algo mais forte para a situação da turma que tem o Palácio Iguaçu como abre-alas de tudo: “Estamos num mato sem cachorro!”

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9:00Cenário tumultuado e instabilidade

Do deputado federal Ricardo Barros em entrevista à Rádio CBN de Maringá. O trecho abaixo foi destacado no Blog Politicamente:

A gente vai deixar para o último dia porque infelizmente o cenário está tumultuado para o governo. A escolha do governador (Ratinho Junior) do seu candidato Sandro Alex criou uma certa instabilidade. As pessoas não estão muito confiantes neste processo que pode dar certo, não estou dizendo que não possa dar certo. Mas quanto mais longe nós estivermos, mais perto da eleição, mais chance da gente entender qual a viabilidade ou do (Sergio) Moro ganhar no 1º turno, ou não, ou do (Rafael) Greca ir para o 2º turno e não o Sandro Alex, ou o Sandro Alex vai para o 2º turno ou o Requião Filho vai para o 2º turno. Tem várias possiblidades. O que todo mundo acha que tá certo é que o Moro vai para o 2º turno com alguém”.

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8:45O preço do Rei e a resposta de Krüger

Ao ler a reportagem sobre o leilão da camisa de Pelé na final da Copa do Mundo de 1958, um apaixonado pelo futebol perguntou se o Rei teria preço no futebol atual. A melhor resposta que o signatário ouviu sobre o camisa 10 da seleção brasileira e do Santos foi dada pelo saudoso Dirceu Krüger, que jogou algumas vezes contra Ele, viveu dentro do futebol e no Coritiba a maior parte da vida, e se indignava com quem acreditava que o filho de Dondinho não conseguiria se destacar nos tempos atuais. “Ele jogaria de costas”, disparava o ídolo coxa-branca.

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8:35A camisa de Pelé em 1958 e o leilão de R$ 25 milhões na Sotheby’s

Pelé, em 1958, na Suécia, nos ombros de Gylmar, e Didi: o fim do complexo de vira-lata (AP/Imageplus)

Camisa de futebol azul royal, gola polo e decote em V, com escudo da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) no peito esquerdo, pendurada em cabide de madeira sobre fundo escuroO manto azul da primeira Copa vencida pelo Brasil: 25 milhões de reais (Sotheby’s/Divulgação)

por Fabio Altman, na Veja

O leilão da camisa de Pelé na Sotheby’s conta apenas parte da história do futebol

Saber a diferença de valores da 10 do rei, a de Maradona em 1986 e a de Messi em 2022, é interessante – mas o futebol vai muito além da batida de martelo

Lá se vão 68 anos, o tempo de uma eternidade no futebol. A fotografia é uma das imagens mais bonitas da primeira Copa do Mundo vencida pelo Brasil, em 1958, na Suécia. Depois da final contra a Suécia, com vitória por 5 a 2, Pelé chora nos ombros do goleiro Gylmar, de braço esquerdo erguido. Didi, o “príncipe etíope”, na definição de Nelson Rodrigues, compõe a cena de beleza indizível. Era um 29 de junho, dia de São Pedro. Dez dias depois, João Gilberto entraria no estúdio da Odeon, na Cinelândia carioca, para gravar Chega de Saudade. Chega de saudade, porque aquela camisa vestida pelo rei – azul, embora a memória seja tingida de preto e branco – acaba de ser levada à leilão pela Sotheby’s, em Nova York. A peça foi vendida a 4,9 milhões de dólares, o equivalente a 25 milhões de reais. O comprador permanece no anonimato.

Temos a mania – e o prazer, sim – de tentar fazer comparações, de medir o que não pode ser medido, de querer saber se houve alguém maior do que Pelé no futebol (não), se Maradona chegou lá, se Messi anda ciscando na área. São perguntas que talvez nunca possam ser respondidas, daí a graça de fazê-las. Pelé ou Messi? Messi ou Maradona? Maradona ou Pelé? Cabe então uma brincadeira, um exercício, uma espécie de “índice do martelo”, que ajuda a iluminar alguma coisa – embora a distância entre épocas faça toda a diferença. No tempo de Pelé não havia transmissão pela televisão e, claro, muito menos pela turma que grita no YouTube. Com Maradona, o momento da tecnologia era outro – com TV, por óbvio, mas não com a audiência de hoje. Para Messi, na cacofonia das redes, é tudo ao mesmo tempo, agora. Estabelecidas as distinções, cada qual em sua era, a dinheirama posta na Sotheby’s põe os personagens na balança.

A 10 de Pelé em 1958, que não se perca o fio da meada, vale 25 milhões de reais. Em 2022, o uniforme usado por Maradona na Copa do Mundo de 1986, quando marcou o gol da “Mão de Deus” contra a Inglaterra, além daquele outro, o mais bonito de todos os tempos, o “gol do século”, foi vendido por 9,3 milhões de dólares – algo em torno de 47,5 milhões de reais. Em dezembro do ano passado, um lote de 6 camisas da Argentina usados por Messi na Copa do Catar chegou a 7,8 milhões de dólares, ou 40 milhões de reais – eram meia dúzia de unidades, e não apenas uma.

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7:35Liberdade

  • Trate com carinho a sua liberdade de escolha. (Chick Corea)
  • Quando perdemos o direito de ser diferentes perdemos o privilégio de ser livres. (Charles Evan Hughes)
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