16:16Paraná igual ao Rio de Janeiro
por Lauro Jardim, na rádio CBN
No Paraná, o quadro guarda algumas semelhanças com o quadro do Rio de Janeiro. Tem um candidato, o senador Sérgio Moro, que aparece hoje com uma liderança folgada, e tem, dependendo do cenário, 39% e 40% das intenções de voto no primeiro turno e venceria no segundo turno. Mas provavelmente, o oponente do Sérgio Moro em um eventual segundo turno seria o candidato que hoje está em quarto lugar na pesquisa da Quaest: o deputado federal Sandro Alex, que aparece apenas com 9% das intenções de voto no primeiro turno.
Mas ele é o candidato do governador Ratinho Junior, e o Ratinho Junior tem um espetacular índice de aprovação de 81% do governo dele. E o Sandro Alex, assim como no Rio de Janeiro acontece com o Douglas Ruas, tem um desconhecimento enorme da população, que não sabe ainda quem é ele. 68% dos paranaenses dizem que não conhecem o Sandro Alex. Então, assim como no Rio, é uma questão de tempo de ser conhecido como candidato do governador Ratinho Junior.
O governador Ratinho Junior aparece também nessa pesquisa com outro índice muito bom em relação à popularidade dele: 63% dos paranaenses dizem que o governador Ratinho Junior merece eleger o sucessor dele. Então projetando um pouco pra frente, a gente vê que o candidato Sandro Alex tem todo um caminho para crescer, e vai crescer, provavelmente quando começar o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.
Destaco, ainda, o percentual de eleitores que dizem que dizem que podem mudar o seu voto para o governo estadual até o dia da eleição. No Paraná, 64% dizem que a escolha que fizeram na pesquisa não é definitiva. Em resumo, nada pode ser dado como definido, ainda que existam inegavelmente favoritos para chegar ao 2º turno. Mas tem muita água para rolar e esse jogo está só começando a ser jogado.
16:12Geopolítica
10:35PARA JAMAIS ESQUECER
10:25A percepção e o buraco
10:17Aos pulos
Do Analista dos Planaltos
Se Ratinho Junior fosse passar férias na Sibéria e retornasse ontem, ao receber a pesquisa da Quaest na manhã de hoje ele iria dar pulos em cima da cama – de contentamento, apesar de já ter acompanhado mais resultados do que placar dos Atletibas na história. Não pelos 81% de aprovação do governo dele, que já está acostumado, mas pelos 63% dos paranaenses que acham que ele deve eleger sucessor, uma aposta de alto risco que faz ao bancar o nome de Sandro Alex. A conferir.
8:57SPONHOLZ
8:55E no Centro Cívico…
8:51Suponha que…
8:28PARA NUNCA ESQUECER MARIANA AYDAR, ROBERTA SÁ E FORRÓ DO XENHENHÉM
8:19Alvaro Dias e Alexandre Curi lideram corrida ao Senado
Do G1 PR
Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (27) mostra Álvaro Dias e Alexandre Curi à frente na disputa por 2 vagas do Paraná ao Senado. A Quaest traz três cenários estimulados, em que os nomes são apresentados aos entrevistados Para 68% dos eleitores ouvidos pela Quaest, a escolha do voto para Senador ainda pode mudar. Outros 32% consideram a decisão definitiva.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 1.104 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 21 e 25 de julho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada sob o número PR-04818/2026.
Para 68% dos eleitores ouvidos pela Quaest, a escolha do voto para Senador ainda pode mudar. Outros 32% consideram a decisão definitiva.
Veja os resultados:
8:03Moro lidera pesquisa Quaest, mas 64% ainda podem mudar de candidato
Do G1 PR
Pesquisa Quaest para o governo do Paraná: Moro lidera os cenários de 1º turno; Requião e Greca vêm em seguida. Levantamento foi realizado entre 21 e 25 e mostra também cenários de 2º turno e como está a avaliação do atual governo do estado.
O levantamento mostra que 64% dos eleitores ainda podem mudar o voto para governador. Outros 35% consideram a escolha definitiva.
A pesquisa encomendada pela Genial Investimentos ouviu 1.104 pessoas entre 21 e 25 de julho. A margem de erro é de 3 pontos.
No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são revelados, o senador Sergio Moro (PL) lidera nos cenários testados pela Quaest.
7:51A VIDA COMO ELA É
7:15Greca solta o veneno em Cascavel
Do ex-prefeito Rafael Greca (MDB), pré-candidato ao governo do Paraná, em entrevista ao podcast do jornal O Paraná, de Cascavel:
-Há uma corrente imensa que quer que eu desista da candidatura. Eu não vou desistir!
– Não pertenço ao Ratinho Junior, ao Ricardo Barros… Não pertenço ao Flávio Bolsonaro, nem ao Lula.
– Vou ser o último homem livre desta eleição – e vou ganhar.
– Me querem de vice pra me usar como cavalo de tróia pra dominar o Paraná com interesses alheios à história do Paraná.
Confira: https://www.instagram.com/reel/DbRUFVjOjfK/?igsh=MTZnNjUxeXNycDc0Yg==
6:46Trabalho e administração
6:28Aos dezesseis outra vez
por Lea Oksenberg, no Vigília Continua
A vida tem uma ironia fina. Com o passar das décadas, a gente corre o risco de achar que acumula certezas — o que seria uma tremenda bobeira porque quem só acumula certezas é burro. O bom da maturidade é justamente ter dúvidas e rir daquelas “verdades absolutas” que a gente defendia aos vinte anos.
A maturidade nos dá a gostosa ilusão de que nada mais tira a gente do prumo. Ilusão, claro. Aí vem o amor e desmente tudo em cinco segundos.
Envelhecer tem essa coisa de achar o amor atemporal ridículo. O corpo pode até pedir uma pausa estratégica no sofá, mas a expectativa do abraço continua tendo exatamente dezesseis anos. É uma contagem regressiva infantil, um olho no relógio e outro na porta, uma arrumação de casa que nunca parece ser suficiente. A maturidade é poder sentir o coração acelerar com a mesma urgência de sempre, sem precisar pedir licença a ninguém.
A saudade é a prova de que o tempo passa, sim, mas a coragem de amar não envelhece um segundo. E quando a porta finalmente se abrir, a gravidade que faça o que quiser com o corpo — porque a alma, essa continua flutuando sem chão, bonita e tonta de frio na barriga.
Que o tempo do lado de fora dobre os joelhos e entenda que esse abraço que suspende o mundo é a única certeza da qual eu não abro mão.
Meu coração/ não sei por quê/Bate feliz/quando te vê Carinhoso (Pixinguinha e Braguinha)
6:20A VIDA COMO ELA É
6:14A nova armadilha institucional
por Marcos André de Melo, na FSP
Quanto maior a rejeição a cada um dos polos, mais necessário o outro parece aos seus seguidores. Democracia se encontra em modo sobrevivência e competição democrática deixou de produzir renovação
Vista em perspectiva histórica, a atual eleição presidencial é singular. De um lado, o presidente da República, aos 80 anos, disputa a reeleição depois de exercer a liderança de um partido por quase meio século. Há casos de outsiders que chegaram ao poder em idade avançada (ex. Trump), mas a dependência em relação a uma única liderança é excepcional nas democracias atuais.
Do outro lado, temos o candidato-substituto de um clã familiar, escolhido porque o titular se encontra encarcerado por seu envolvimento em uma conspiração. Seu apoio deriva, em larga medida, da chancela paterna e do que chamo de voto por exclusão.
O traço fundamental do pleito, contudo, é o elevadíssimo cinismo cívico. Ambos os candidatos, seus familiares e dirigentes de suas respectivas agremiações carregam acusações gravíssimas de envolvimento em corrupção, com características que o ministro André Mendonça chamou de “mafiosas.”
As instituições brasileiras nunca haviam se degradado a ponto de alcançar cortes superiores, como o STF e o STJ. A degradação se manifestou em momento crítico da democracia brasileira e comprometeu profundamente sua defesa.
Nossa quadra histórica assiste, assim, a uma mudança qualitativa. Não estamos apenas diante do problema recorrente do patrimonialismo. A corrupção mudou de escala e passou a se articular com a criminalidade organizada e violenta.
Arrisco dizer que, em poucos momentos de nossa história republicana, o sentimento público de fracasso coletivo foi maior que o atual. É certo que, na Primeira República, no pós-guerra e durante a ditadura, também houve momentos de forte frustração e cinismo cívico. Mas há uma distinção importante. Naqueles contextos existiam ideias-força que mobilizavam grandes energias cívicas e ofereciam projetos de transformação institucional.
Depois de pouco mais de três décadas de regime republicano, Vicente Licínio Cardoso resumiu a frustração de sua geração: “A grande e triste surpresa de nossa geração foi sentir que o Brasil retrogradou”. Falou também no “rotundo fracasso” da primeira geração republicana. A ironia da história é que o projeto surgido desse diagnóstico conduziu ao Estado Novo e, posteriormente, ao populismo nacional-desenvolvimentista. A percepção do fracasso institucional gerou energia transformadora, mas não necessariamente instituições melhores.
5:56A VIDA COMO ELA É
17:11O HOMEM SÓ
de Antonio Maria
Deixo-me ficar no canto mais refrigerado da boate, sozinho, ansioso por continuar sozinho. À minha direita, um cidadão exageradamente magro, com os ombros em desenho de âncora e uma dessas bocas que, em certos rostos, envelhecem antes dos olhos e dos cabelos. Conheço-o de ouvir dizer e sei que o seu maior empenho é passar por ex-perigosíssimo gangster. Examino-o. Não tem nada de Bogart ou de Raft. Nem sequer teve parecença com Hercule Poirot, dos “policiais” de Agatha Christie. Tira a cabeça do prato e elogia o cantor, puxando conversa. Concordo, com um gesto de cabeça. Anima-se e diz uma frase, em espanhol, definindo a vida. Gostaria de ter-lhe avisado que sua definição ainda não era irrevogável definição de tudo isso que estamos fazendo ou fingindo fazer. Mas não lhe disse nada e o desesperanço de qualquer entendimento entre nós, pelo menos naquela noite. Essa coisa de a gente ficar sozinho é, de vez em quando, muito importante. O convívio distrai muito, abstrai muito. E é preciso que a gente se fixe, ao menos uma vez por dia, no exame de certas pessoas. Nós somos muito atacados. Ninguém se livra da campanha constante de um inimigo medíocre e desonesto. E é preciso pensar nele um pouquinho, porque a perseverança dos medíocres é, no fim das coisas, uma adição de certa força. Então, penso nos meus possíveis inimigos, não com vontade de destruí-los, mas desejoso de que eles sejam menos inquietos e mais amáveis, mais tranquilos e decentes. Penso em construí-los, então. Não por ambicionar que eles resolvam amar-me, de um momento para outro. Mas para que ao menos eles durmam sem sobressaltos, suas noites de medo, em companhia de sua vigente insegurança. Noutra mesa mais distante, há uma senhora de óculos. Fala e ri livremente, numa espécie de simpatia além de qualquer modelo de bons modos, comum e invariável nas mulheres do “Society” diário. Bate nas costas do companheiro ou lhe acende o cigarro na brasa do seu. Mas em tudo isso muito bonita, de óculos, prendendo-me a atenção pela beleza dos seus maus modos. Depois, um pouco mais à esquerda, formou-se uma mesa de políticos. O político brasileiro, numa boate conversa de um jeito especial como quem já sabe de todas as coisas apuradas ou ocasionalmente futuras. Não sei se posso descrever-lhe o ar. Mas fala com a cabeça baixa e os olhos levantados, existindo certo mistério e grande convicção. Há coisas que são ditas entre dentes. Outras não são ditas, mas entendidas, num simples manejo lateral de cabeça. No fundo, eles não sabem de nada, nem vão resolver coisa alguma, porque, na maioria, são políticos de conquistas, apoios e oposições pessoais. Mesmo assim, convencem-me de sua autoridade sobre mim, por exemplo, que sou povo, da maneira mais lírica possível — povo! Continuo sozinho, preservado por uma série de acasos. Bastaria que entrasse um conterrâneo, um colega de jornal, um credor, e teria eu que sair da intimidade que estava tratando a mim mesmo, para dividir-me ou compartilhar, para fazer concessões e, certamente, constranger-me. Lembro-me de um amigo que morreu e da minha falha em não ter improvisado certa coragem de abraçar sua família. Penso numa conhecida, de quem imaginei vir a ser um convívio útil, leal, bom. Mas ela, sem se aperceber disso, não me quis para nada. A seguir, vou-me tornando ambicioso. Agita-me a ideia de viajar outra vez e de poder descansar de tudo quanto venho fazendo sem tréguas, escrevendo, escrevendo… As certezas que tenho de mim mesmo sobrevivem às suposições que de mim fazem. Mas é preciso que o homem se realize dentro de suas certezas e não à base do que dele se pensa ou se diz. Eu só tenho dado o que de mim esperaram. E recebido, sempre gratamente, sem medir ou pesar. O homem está sempre além e aquém do juízo e da confiança do seu próximo. Nunca foi pensado ou dito exatamente de mim. Na maioria das vezes, pensaram demais. Em tristes e resignadas ocasiões, pensaram de menos. Mas é bom que nunca acertem a fim de que o homem se mantenha irrevelado para, naquela rara intimidade de si mesmo, sentir-se consolado ou perdido, morto ou vivo, mas irrevelado e intenso.O pianista toca uma canção desconhecida. O homem à minha esquerda (o que não se parece em nada com Bogart) mastiga com algum barulho. A moça de óculos tira os óculos. Os políticos começam a comer. E no rosto do cigarreiro que, à esquerda de mim, recebe uma gorjeta, descubro uma ingênua melancolia. Mais nada.
*Mesa de pista, 28 de janeiro de 1956







