Esse privilégio de sentir-se em casa em qualquer lugar pertence apenas aos reis, às prostitutas e aos ladrões. (Honoré de Balzac)
Do correspondente na Tríplice Fronteira
O prefeito Silva e Luna (PL) autorizou a abertura de processo administrativo para investigar a empresa Elotech Gestão Pública, contratada em 2025 por R$ 8,4 milhões para implantar o novo sistema digital da prefeitura de Foz do Iguaçu, o que inclui emissão de carnês de IPTU, taxas e outros serviços que se estendem em diversas secretarias e órgãos da gestão pública municipal.
“Considerando as informações trazidas pela Secretaria de Finanças e Orçamento constando que há indícios de que a empresa Elotech descumpriu as obrigações previstas no edital de pregão eletrônico nº 164/2023 e contrato nº 048/2025”, diz o termo de autorização publicada no Diário Oficial do Município do dia 12 de junho.
A prefeitura esperava o fornecimento e a ativação de licença para uso de software (sistema estruturante) – denominado “Solução de Gestão Pública Municipal Integrada” – em seis áreas do governo municipal: contabilidade pública, administração pública, arrecadação e fiscalização, recursos humanos, governo digital e inteligência de dados, incluindo também a prestação dos serviços de implantação dos sistemas e conversão e migração de dados. Continue lendo
A jornalista Cristina Graeml (PSD) tem um osso duro de roer para emplacar sua candidatura dentro da chapa que tem Sandro Alex como pré-candidato ao governo. Ela sonha em disputar o Senado, mas no grupo do governador Ratinho Jr., uma dupla poderosa, unida também por laços familiares, não quer ver o nome dela nem pintado de ouro – e também sua imagem de super-heroína que apareceu na propagandda partidária com a bandeira de capa e tudo mais. Ela é formada pelo prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), e pelo presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos), este pré-candidato ao Senado. Eles não esquecem o que aconteceu na eleição para a prefeitura e estão firmes na disposição de cortar as asas de Cristina. Isso é política!
O Brasil vai enfrenar a Noruega que venceu por 2 a 1 o bom time da Costa do Marfim, com mais um gol de Haaland. O time possui ótimos jogadores do meio para frente. É a geração norueguesa, que joga um futebol ofensivo. Por outro lado, a defesa possui deficiências, especialmente por onde joga Vinicius Junior. Será uma partida difícil para o Brasil. Entre o samba e a remada, sou mais o samba. (Tostão)
Do Goela de Ouro
A primeira reação da família de Dalton Trevisan ao saber da homenagem que a Assembleia Legislativa pretendia fazer ao escritor foi a de tentar impedir. O argumento principal era o comportamento do próprio, cuja fama de evitar qualquer tipo de publicidade sobre sua pessoa ficou famosa. Ele não dava entrevistas, não ia receber prêmios como o Camões, de literatura, odiava ser fotografado, etc. Depois de muita conversa, chegaram a um entendimento.
A literatura agradece.
Pode ser tudo, pode ser nada, mas é provável que, com o nome da Biblioteca Pública, Dalton Trevisan passe a ser lido pela imensa maioria que não sabe que ele é escritor nascido em Curitiba, conhecido e admirado nos círculos intelectuais do Brasil e do mundo, e que seus textos são um painel imenso de personagens da capital – de quem sugou a alma, daí ser chamado também de Vampiro.
Da Alep
Proposta homenageia o escritor curitibano e reconhece sua contribuição para a literatura brasileira e para a cultura paranaense
Um dos maiores nomes da literatura brasileira terá seu legado eternizado em um dos principais equipamentos culturais do Paraná. A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, na sessão plenária desta terça-feira (30), um projeto de lei que denomina Biblioteca Pública Estadual Dalton Trevisan a atual Biblioteca Pública do Paraná, localizada em Curitiba. Aprovado em turno único e com dispensa de redação final, o texto segue para a sanção do governador Ratinho Júnior.
De autoria do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi (Republicanos), a iniciativa presta homenagem ao escritor curitibano, considerado o mais premiado autor paranaense da história, cuja obra projetou a literatura do Estado para o cenário nacional e internacional. A proposta reconhece a contribuição de Dalton Trevisan para a cultura brasileira e busca perpetuar sua memória em uma instituição que simboliza o acesso ao conhecimento, à leitura e à preservação do patrimônio literário paranaense. Continue lendo
por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica
Era dia 27 de setembro, dia de Cosme e Damião. Se a data já pedia uma certa doçura e uma pitada de festa popular, o visual de Luana resolveu entregar o espetáculo completo — só faltaram os doces e os saquinhos de papel de seda.
Ela não queria saber de véu, grinalda ou daquela paleta sem graça de brancos e “gelos”, como se dizia à época. Luana escolheu o contraste, a afronta estética. Mandou fazer um vestido tomara que caia amarelo. Mas não era um amarelo sutil, desbotado, pastel… Era amarelo-ovo. Intenso, solar, daquele que cega a retina e que não dá para ignorar nem sob a penumbra de um eclipse. Para completar, havia uma espécie de echarpe — ou seja lá o nome que se dê àquela faixa flutuante de seda — que envolvia o pescoço de Luana com o mesmo tom vibrante, quase como uma aura incandescente.
O cenário não era uma igreja, era um salão de festas. E ninguém ali estava devidamente preparado para o que estava prestes a cruzar a porta.
Quando Luana entrou… que choque!
Dava pra ver nos olhos dos convidados, a ala majoritariamente conservadora, o exato momento em que o cérebro dos familiares tentava processar aquela visão e recalcular a rota. Os amigos, claro, nem piscaram: já esperavam qualquer bizarrice ou genialidade vinda dela. Foi uma mistura de queixo caído coletivo com um silêncio que logo se transformou em um burburinho generalizado. Luana não estava apenas entrando no seu casamento; ela estava inaugurando o ambiente, acendendo a luz do salão — e provavelmente a pressão de algumas tias — com o próprio vestido. Foi audacioso, foi inesquecível e, acima de tudo, foi a cara dela.
Me leva, amor
Por onde for, quero ser seu par Andança –
(Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós)
por Elio Gaspari, na FSP
Antipetismo dissolveu-se no ar, abrindo espaço para um novo anti, o antibolsonarismo. Jactar-se do primeiro tarifaço de Donald Trump foi caso raro de um só tiro acertando os dois pés
Adélio Bispo de Oliveira esfaqueou Jair Bolsonaro no dia 6 de setembro de 2018. Ninguém pode garantir que a facada de Juiz de Fora tenha decidido a eleição, mas um mês depois Bolsonaro conseguiu 46% dos votos no primeiro turno. Fernando Haddad ficou com 29%. A eleição estava decidida e, no segundo turno, o ex-capitão correu para o abraço, com 55% dos votos.
Não foi Bolsonaro quem ganhou, foram Haddad e o PT quem perderam. Lula estava preso em Curitiba, o juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato faziam o que queriam. Nada disso estará no pano verde na eleição de outubro.
Lula terá governado por quatro anos sem maiores sobressaltos, e quem está preso é Bolsonaro. As tensões que ele espargiu, insultando um ministro do Supremo Tribunal e opondo-se a um programa de vacinação durante uma epidemia que matou 700 mil pessoas, viraram uma má lembrança.
A eleição de 2018 foi o apogeu do antipetismo. Em 2022 lida-se com o antibolsonarismo. Assim como em 2018 a soberba petista detonou Haddad, agora a soberba bolsonarista poderá detonar Flávio Bolsonaro e as pesquisas apontam nessa direção. A candidatura do senador tem um sabor dinástico, agravado pelo deserto de ideias do seu campo. Sem a facada de Juiz de Fora e as turbinas da Lava Jato, como a divulgação da delação do ex-ministro Antonio Palocci às vésperas do primeiro turno, o antipetismo não dá caldo.
A essas adversidades somou-se a autofagia bolsonarista. A mulher de Bolsonaro fez um estudado vídeo, em que o sujeito oculto de suas críticas é Flávio Bolsonaro. Qual é a raiz dessa quizília? A política cearense e a preterição de uma vereadora que aspirava disputar o Senado. É pouco para tanto barulho.
O repórter Luís Felipe Azevedo mostrou que na Bahia, Pernambuco, Ceará e Maranhão os candidatos do arco oposicionista evitam partilhar palanques com a campanha de Flávio. Tratando-se do principal reduto lulista essa ausência é um mau presságio. Os erros da famiglia certamente explicam em parte esse movimento. Contudo o principal fator estaria além deles. O antipetismo, cimento da vitória de 2018, dissolveu-se no ar, abrindo espaço para um novo anti, o antibolsonarismo.
Flávio Bolsonaro é forte na Casa Branca, fraco em Pindorama. A ideia de jactar-se da imposição do primeiro tarifaço de Donald Trump foi um caso raro de um só tiro acertando os dois pés. Naquele tarifaço a patrulha bolsonarista acampada em Washington pode ter exercido alguma influência. No próximo, a despeito da carta de Flávio Bolsonaro ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que o Brasil seja poupado, essa janela de oportunidade encolheu.
O tarifaço de 2025 foi concebido com o voluntarismo da Casa Branca. Basta lembrar a tarifa imposta a uma ilha de pinguins. Desta vez o novo tarifaço será essencialmente técnico. Enviesado, porém com verniz técnico.
Novas tarifas virão, transformando-se numa bola de ferro amarrada a um pé dos Bolsonaros. Eles cometeram o mesmo erro que o bilionário Elon Musk, que em poucos meses passou de gênio a maluco e acabou defenestrado da Casa Branca. Na sua fase de delírio, Musk tentou morar na Casa Branca.